quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Web Serie: O Segredo

Marina tinha um medo que só ela sentia, mas nunca soube explicar. Entre tantos acontecimentos em sua vida, sua voz preferiu se calar, e sempre foi assim, até então. Viva numa devasta escuridão, o vazio tomava conta de seu coração enquanto o fone no ouvido e um caderno na mão, dava a ela uma inspiração que jamais tivera... Entre palavras e suspiros, escrever é o maior dom que possuía, e sem charmes e carências, enfrentava o mundo de peito blindado como quem não quer nada, mas esperava por tudo. Talvez um passado doloroso e frágil, a fez agir assim.

indie girl | via Tumblr
Dos seus segredos, jamais souberam. Como quem houvesse cometido um suicídio e engolido seu segredo. Talvez isso seria uma boa ideia, talvez não. Mas pelas circunstâncias, ela sabia que era forte o suficiente para superar seus pesadelos passados sem a ajuda de ninguém. Seus medos diziam respeito apenas a ela, mais ninguém. Isso a fazia uma barreira invencível. Entre tantas que queriam atenção, ela preferia a falta de observação, que talvez a entregaria. Nos olhares ela se perdia, se confundia e se entregava. De corpo e alma, ela se entrelaçava com olhares diretos e se deixava levar a uma correnteza forte, mas logo jogaria a âncora.

Mesmo voando alto, Mari sempre manteve os pés no chão. Sem força, com leveza, levou a vida de acordo com a paixão e um pingo de razão. Se machucou, se rendeu, se perdeu. Caiu e levantou. Abandonou e acolheu. Se destacava na multidão com seu gênio forte e pulso firme. Nunca deixou seus problemas a abalarem... Nunca fora de se fazer por coitada quando largada ou desrespeitada. O que ela passou, poucos passaram, mas a coragem que ela possuía, era algo resplandecido. Seu jeito de ser nunca mudou, apenas evoluiu. Fechada, mas quando necessário, não poupava palavras e não tinha papas na língua.

Descreviam e observavam a menina que passava despercebida entre a multidão vazia que domina o centro da cidade. Mudava as coisas por onde passava, se achava diferente, talvez considerasse a hipótese de um ser angelical; mas de anjo, pouco restava. Acreditava na mudança das pessoas e enxergava sempre o lado bom, mesmo que a vista fosse péssima, era preciso enxergar um arco-íris através da tempestade. Diante de seres robotizados, pessoas aglutinadas e hipocrisia dominante, resolveu ser mais que aquilo, mais do que diziam e ouviam. Resolveu agir diferente do que a sociedade espera que uma garota com aquele segredo agisse. Mas o segredo? Ah, este... Só Marina sabe.

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